Raquel Belli (n. 1982)
Fotógrafa e artista visual, portuguesa de raiz italiana, que nos últimos catorze anos reside e trabalha entre Portugal e Timor Leste.
Formou-se em Artes Plásticas, na ESAD das Caldas da Rainha, em 2006. Em 2008 conclui o Curso Técnico de Fotografia da ETIC, onde desenvolveu e aprofundou a fotografia de cena. Colaborou e participou em várias exposições coletivas e individuais no decorrer dos seus estudos. Depois de estagiar e trabalhar durante alguns anos com a revista Volta Ao Mundo, a fotografia documental e de viagens ganha importância no seu percurso.
Em Timor colaborou na criação da WAP (WomenArtPower), que teve como objetivo, através do apoio à criação e divulgação de arte feita por mulheres, a capacitação feminina numa sociedade que em grande parte ainda as vê como um ser pouco capaz e de subserviência. Ainda em Timor, publicou um livro de fotografias sobre o peculiar Natal do país, em colaboração com José Ramos-Horta e Xanana Gusmão (“Aqui Onde O Sol, Logo Em Nascendo, Vê Primeiro”, 2014).
Para além do seu trabalho documental para revistas e jornais, a plasticidade de que tira partido nas suas imagens levam o seu trabalho a ser exposto em galerias e espaços culturais. Aplica técnicas e padrões usados em cestaria e tecelagem, conforme os sítios onde passa, tirando proveito da aparente aleatoriedade dos objetos/sujeitos retratados e estética criada.
Sinopse
Íntimo e pessoal, mas facilmente relacionável, o corpo de trabalho revelado transporta o observador numa viagem pelo que poderiam ser as memórias familiares de qualquer um.
Profundamente consciente de que a transmissão geracional verbal está inerentemente sujeita à perda e aberta à interpretação, e que a memória não é um aliado fiável, a artista deixa cada peça falar por si.
Fotografias históricas e imagens de são recortadas em tiras e entrelaçadas manualmente, num processo que evoca as técnicas tradicionais de cestaria. Tal como se tece um cesto, cada fragmento de imagem cruza-se com outro, criando composições únicas que revelam novas relações entre elementos do passado.
O entrelaçamento não é apenas um gesto estético: é uma forma de reconstruir a memória, de unir histórias dispersas e de criar novas leituras visuais. Entre fios de papel e espaços em branco, rostos, ruas e paisagens reaparecem fragmentados e renovados, como se o tempo tivesse sido tecido novamente.
Ao fundir a prática artesanal com a fotografia, o trabalho liga-se à identidade cultural da região, onde o saber-fazer manual é parte da memória viva da comunidade. Cada obra torna-se, assim, um ponto de encontro entre tradição e contemporaneidade, preservando o passado enquanto abre espaço para novas narrativas coletivas.