Em 2024, a violinista Maria do Mar e a violoncelista Joana Guerra voaram até aos Países Baixos para se reunirem com os irmãos Kleefstra, o poeta Jan Kleefstra e o músico multi-instrumentista Romke Kleefstra, para uma colaboração no âmbito de IT DEEL, projeto de quatro anos que cruza poesia e música num ensemble frísio-internacional em constante renovação. Em cada edição (2021-2025), músicos convidados (Jacaszek, Eivind Lønning & Espen Reinertsen, Karen Willems, Joana Guerra & Maria do Mar respectivamente) juntam-se aos Kleefstra para uma residência criativa, da qual resulta um trabalho colaborativo único. O projeto, criado pelos irmãos Kleefstra, centra-se na relação entre o ser humano e a natureza, explorando essa ligação de forma sensível e experimental. Cada encontro reflete o diálogo entre os artistas e o território frísio (região dos Países Baixos), dando origem a criações que se distinguem pela profundidade, escuta e identidade própria. A poesia de Jan é recitada em língua frísia, idioma oficial da região de Friesland, a norte dos Países Baixos. De cada colaboração resultou um disco, editado pela Moving Furniture Records, acompanhado por digressões de apresentação nos Países Baixos e, sempre que possível, também nos países de origem dos músicos convidados. Em 2025, a digressão nos Países Baixos passou por oito cidades diferentes.
BIOS:
Jan Kleefstra é um poeta performer que, há duas décadas, explora a interseção entre poesia, música e imagem com o irmão Romke. O seu trabalho assenta numa escrita intuitiva, fragmentária e sensorial, rejeitando forma, técnica e estrutura pré-concebidas. A criação surge da escuta e da experiência direta do mundo, valorizando o silêncio como espaço de sentido e entendendo a vida como um todo inacabado em constante fluxo.
Romke Kleefstra é um músico e compositor neerlandês ativo desde os anos 1990 na área da música experimental, com trabalhos que atravessam o ambiental, drone, eletrónica e improvisação. Iniciou o seu percurso em bandas como Shatterhole, Seascape Painters e Polaroyd, evoluindo mais tarde para uma prática artística fortemente colaborativa e interdisciplinar. Integra projetos como Piiptsjilling (com Jan Kleefstra, Rutger Zuydervelt/Machinefabriek e Mariska Baars), The Alvaret Ensemble, Transtilla e Kleefstra Bros, entre outros. O seu trabalho cruza música, poesia, paisagem e silêncio, desenvolvendo-se em discos, performances e projetos de longa duração ligados a território e escuta. A par com a sua atividade artística, Romke é ornitólogo.
Maria do Mar é uma violinista eclética com um percurso transdisciplinar. A sua abordagem criativa explora convergências e divergências entre a música erudita, as modalidades alternativas de ensino, a música experimental e improvisada, o cinema, o teatro, a dança e o ativismo. Desenvolveu trabalho de improvisação com Butch Morris, Carlos “Zíngaro”, Joelle Léandre, Paulo Curado, Sei Miguel, Miguel Mira, Joana Guerra, Helena Espvall, Adriana Sá, Paulo Chagas, Juan Calvi, Rodrigo Amado, Lula Pena, Noel Taylor, David Rothenberg, Sofia Borges, Atau Tanaka. Procura no seu trabalho um universo amplo, o desenvolvimento de uma linguagem pessoal, com fronteiras estéticas esbatidas, onde se abrem possibilidades transversais e sem limites criativos.
Joana Guerra (Lisboa, 1983), violoncelista, compositora e improvisadora cuja inquietação e paixão pela experimentação a têm levado a colaborações com inúmeros músicos, assim como a projetos de dança, performance e teatro, entretecendo um universo único em constante expansão. Tem trabalhado em contextos diversos, a solo e coletivamente, movendo-se livremente entre disciplinas artísticas. Joana incorpora uma vasta gama de influências, incluindo noise, improvisação, folk, jazz, música experimental, sonoridades tradicionais ou minimalistas, unificando essas referências numa abordagem distintiva. Lançou quatro discos do seu projeto a solo, sendo o mais recente “Chão Vermelho”: canções impressionistas e experimentais, alinhadas pela hipnose do violoncelo. Colabora em projetos no espectro da música exploratória e improvisada: The Alvaret Ensemble, Lantana, Tratado Ensemble (inspirado na obra Treatise de Cornelius Cardew), Orquestra do Ruído, etc. Além de variadas colaborações artísticas: Joëlle Léandre, Surma, Gume, João Ferro Martins, Manja Ristić, Victor Herrero, Ricardo Jacinto, Lula Pena, Mikhail Karikis, Yaw Tembe, Asimov, Tiago Sousa, Pop Dell’Arte, entre outros.